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Responsável pelo Site Dr:Eduardo G.H de Moura



     Educação continuada


O Sistema Sydney
Os patologistas, por muito tempo, procuraram um método de fácil aceitação e aplicabilidade, que classificasse as gastrites crônicas; entretanto, muitas destas tentativas falharam devido à ambigüidade e divergência das terminologias utilizadas.


As gastrites possuem amplo espectro histopatológico e topogáfico, que causam vários padrões morfológicos característicos de cada doença. Embora os patologistas geralmente concordem entre si com os achados microscópicos observados, as várias nomenclaturas utilizadas para defini os mesmos padrões de doença resultaram em uma confusão considerável. Portanto, podemos dizer que a grande maioria das controvérsias e desacordos sobre os vários tipos de gastrites foi causada mais pela semântica (nomenclatura), do que pelos diferentes conceitos sobre sua fisiopatologia.


A descoberta do Helicobacter pylori trouxe luz aos conceitos sobre etiologia, porque se tornou aparente que esta infecção seria a causa da gastrite crônica não(auto) imune. Além disto, investigações sobre gastrites, estimuladas pela descoberta do microorganismo, levaram ao reconhecimento de outras formas distintas, como gastrite linfocítica e de refluxo alcalino.


Em 1990, durante o 9º Congresso Mundial de Gastroenterologia em Sydney, foram estabelecidas regras para a classificação e graduação das gastrites. Criou-se, então, o sistema Sydney, baseado na avaliação de duas classificações interligadas das gastrites, uma endoscópica, outra histológica, levando em consideração os aspectos morfológicos, referida como divisão endoscópica e outra histológica, referida como divisão histológica, levando em consideração, os aspectos morfológicos, topográficos e etiológicos. Seu maior mérito é de ser descritivo, facilitando e tornando homogênea a comunicação entre os profissionais envolvidos.


Os exames endoscópico e histológico da mucosa gástrica são os principais métodos pelos quais a gastrite é diagnosticada. O dado endoscópico da classificação de Sydney requer descrição minuciosa, de forma sistemática e padronizada das alterações da mucosa.


Avalia-se a intensidade dos achados (leve, moderada e intensa), sua distribuição topográfica (fundo, corpo e antro), utilizando termos descritivos convencionados, para posteriormente serem correlacionados com os achados histológicos. Por outro lado, a histologia é necessária para o diagnóstico diferencial das gastrites, na avaliação da intensidade do processo inflamatório, na identificação ou não de atrofia e/ou de metaplasia intestinal e infecção pelo Helicobacter pylori.


Avaliação endoscópica na classificação de Sydney:


















Intensidade da alteração Distribuição topográfica
Leve Fundo
Moderada Corpo
Intensa Antro


Quando duas regiões gástricas são afetadas, isto é, corpo e antro, denomina-se pangastrite, dando-se ênfase ao segmento mais acometido, orientação esta baseada nos conceitos de Whitehead. Se apenas uma região é acometida, denominamos gastrite pelo segmento gástrico acometido. Deve-se também avaliar atividade e intensidade do processo inflamatório. Assim, o sistema Sydney propiciou um método sistemático descritivo facilitando desta maneira a comunicação entre várias especialidades médicas e adequação a novos conceitos.