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Responsável pelo Site Dr:Eduardo G.H de Moura



     Educação continuada


Aspecto Endoscópico
O tratamento tradicional da estenose piloroduodenal tem sido cirúrgico, desde a piloroplastia até a ressecção associada ou não à vagotomia. Entretanto, a partir da descrição inicial do tratamento desta complicação através da dilatação sob controle endoscópico por Benjamin et al., esta conduta tornou-se uma das opções terapêuticas. A dilatação é efetuada com o uso do balão hidrostático, vem sendo empregada com freqüência e faz parte dos recursos oferecidos pela moderna endoscopia. Recentemente, concomitante ao tratamento dilatador deve-se acrescentar o tratamento farmacológico à base de inibidores de secreção ácida, como os IBP. A dilatação endoscópica descrita como alternativa para estenoses piloroduodenais adquiridas tem menor morbi-mortalidade, além de oferecer ao paciente condições de retornar precocemente às suas atividades, quando comparado ao óbice de uma intervenção cirúrgica.


A dilatação endoscópica por balão hidrostático pode ser utilizada, também, como medida terapêutica temporária visando melhorar o esvaziamento gástrico, as condições nutricionais e o preparo do paciente para o tratamento cirúrgico. O método endoscópico descrito, não convencional e pouco difundido em nosso meio, mas que oferece resultados clínicos animadores, despertou interesse para a realização de um estudo clínico com a finalidade de comparar a sua real eficiência.


Por outro lado, a avaliação da eficiência dos métodos de dilatação com parâmetros subjetivos nem sempre é absoluta e confiável. O teste de esvaziamento gástrico com marcador radioativo é uma opção eficiente e já empregada no nosso meio em pacientes ulcerosos duodenais submetidos à vagotomia gástrica proximal e naqueles portadores de gastropatia chagásica crônica. Não se observa na literatura publicações a respeito do uso da cintilografia na pesquisa do tempo de esvaziamento gástrico, antes e após a dilatação hidrostática da estenose péptica piloroduodenal. Frente a estas observações, a proposição do presente estudo foi avaliar a eficiência do tratamento endoscópico das estenoses piloroduodenais utilizando-se técnica de cintilografia em concomitância com a avaliação clínica e endoscópica.


As avaliações das características clínicas antes e após a dilatação hidrostática são importantes, e baseadas em dados clínicos como dor epigástrica, emagrecimento, plenitude epigástrica, vômitos e azia. Para avaliação clínica pós-dilatação emprega-se a classificação de Visick modificada e relacionada com os sintomas de obstrução piloroduodenal.


A avaliação endoscópica nos casos de estenose péptica piloroduodenal deve ser realizada antes do procedimento, trinta dias, sessenta dias, seis meses e um ano após a dilatação endoscópica hidrostática. A dilatação hidrostática endoscópica pode ser realizada utilizando-se cateteres balonados modelo TTS ou OTW.


Nos exames endoscópicos de seguimento, para controle da natureza pérvia da região piloroduodenal dilatada, considera-se satisfatória a passagem, sem dificuldade, do aparelho de 9,8 mm pela segunda porção duodenal. Se a passagem do endoscópio não for efetiva, recomenda-se uma nova dilatação hidrostática.


Realiza-se avaliação endoscópica considerando-se as afecções concomitantes e os achados específicos (diâmetro, forma, localização) da estenose péptica piloroduodenal antes e após a dilatação. Pode-se classificar a estenose péptica piloroduodenal conforme a figura.


Em relação à técnica de dilatação, realiza-se a passagem do endoscópio pelo estômago para observação da estenose, aspiração de resíduos líquidos e avaliação geral. Lubrifica-se o balão plástico e os canais de biópsia do aparelho com silicone líquido. Introduz-se cuidadosamente o balão dilatador até sua saída na extremidade do aparelho, que deverá estar retificado. Procede-se à passagem do balão desinsuflado sob visão direta através da estenose do piloro ou bulbo duodenal. Posiciona-se o balão na região estenosada. Quando não for possível o adequado posicionamento, utiliza-se fio-guia para conferir maior segurança. Em caso de dúvida, pode-se preencher o balão com contraste diluído para conferir a sua posição por radioscopia. Insufla-se o balão com água, progressivamente, através da seringa do manômetro, observando-se o limite máximo recomendado pelo fabricante.