Hospital das Clínicas
Fale Conosco
Buscas
Reunião anatomo-endoscópica
Educação Continuada
Vídeos - Procedimentos
Diretrizes e Condutas
Resumo de Artigos Publicados
Links
Ex-Alunos
Normas - Estágios
Reunião Ultrassonografia Endoscópica
Responsável pelo Site Dr:Eduardo G.H de Moura



     Educação continuada


Discussão
Historicamente, a pesquisa da técnica endoluminar para tratamento do RGE teve origem no início dos anos 80 quando O’Connor e colaboradores (1984) reportaram a implantação de colágeno de derma bovino e solução de teflon injetadas endoscopicamente no EIE de cães com DRGE induzido cirurgicamente. Este estudo foi acompanhado por um piloto de 10 pacientes estudados com glutaraldeído, com elo cruzado de colágeno bovino. Múltiplas sessões de endoscopia e mais de 100 ml de material implantado foram necessários para eficácia clínica. Observou-se significância estatística na melhora da pressão basal da barreira do esôfago inferior e diminuição na base do índice do refluxo ácido após terapia da implantação, com efeitos benéficos de curto período. A falta de benefícios terapêuticos por menos de um ano limita a aplicação clínica.


A partir deste estudo, procurou-se definir as características ideais para o implante, que incluem a baixa viscosidade (injetável em cateter de 5Fr/25 diâmetro); material biologicamente inerte (sítio de implantação e metastático); não-carcinogênico/não-alergênico/não-imunogênico; baixos efeitos colaterais; não-biodegradável; alta permanência no sítio de implantação; baixo custo; capacidade de resistência à tensão mecânica; estéril; com plasticidade e elasticidade favoráveis e não-produção de efeitos adversos na musculatura adjacente. Neste sentido, o emprego do Enteryx™ tem demonstrado atender a tais exigências.


Apesar de grande parte da melhora ocorrida durante a década de 90 no tratamento de longo prazo do RGE dever-se principalmente ao uso dos IBPs e ao desenvolvimento da fundoaplicatura laparoscópica, estes tratamentos ainda implicam em recidivas. Existe uma relutância quanto a manter pacientes jovens sob tratamento de longo prazo com IBP, além do aumento global dos custos devido às medicações utilizadas. A técnica cirúrgica de tratamento também não está livre de potenciais complicações no curto e longo prazos, oferecendo alívio sintomático por longos períodos, embora não definitivamente. Mas ainda, a cirurgia pode não ser uma alternativa possível para pacientes com as complicações mais severas do refluxo devido à gravidade das doenças coexistentes (por exemplo, DPOC). A injeção de Enteryx™ na musculatura da cárdia é segura e propicia um aumento sustentado da pressão do EIE. A injeção foi acompanhada de uma melhora sustentada dos sintomas de pirose, a qual foi avaliada, depois da interrupção do tratamento com IBP, em pacientes que previamente necessitavam de tratamento médico contínuo. Na análise dos resultados do emprego deste material, temos de interpretar com cautela a melhoria dos sintomas, uma vez que o estudo não foi desenhado para um braço de procedimento simulado (sham study). É difícil que a correlação entre a melhoria dos sintomas e/ou o aumento da pEIE tenha sido influenciada por um viés físico, porque os pacientes mantiveram os seus hábitos e não tiveram conhecimento dos dados de manometria.


O resultados do estudo Enteryx® necessita de estudos futuros para delinear o potencial clínico aplicável, com acompanhamento no longo prazo desta técnica, assim como compreensão de seu mecanismo de ação no EIE.


O estudo multicêntrico empregando EndoCinch™ em pacientes com doença não complicada e sem hérnia hiatal superior a 2 cm demonstrou benefício no controle sintomático e menor custo em comparação ao uso prolongado de IBP ou intervenção cirúrgica. No entanto, não há uma demonstração efetiva do mecanismo de ação deste método na restauração dos mecanismos de contenção do RGE. Embora as técnicas de sutura respondam satisfatoriamente aos parâmetros práticos estabelecidos pelo Comitê do Colégio Americano de Gastroenterologia concernentes ao controle dos sintomas (objetivo primeiro), a vigilância endoscópica e a medicação secretora não foram consideradas necessárias para pacientes com esofagite grau II se os sintomas estivessem controlados. Isto pode resultar